
Em 1932, o "Diário de Notícias" publicou uma série de artigos sobre os Açores.
Achei interessante (claro!) a parte respeitante às Lajes, e transcrevo boa parte do texto.
“A linda vila das Lages do Pico está situada à beira-mar, a sudoeste da Ilha do Pico.
É a mais antiga da Ilha e sede do concelho do seu nome, que é o mais populoso e também o mais importante pela fertilidade dos seus campos que permitem abundante produção de cereais, principalmente milho, e em geral, de todos os géneros agrícolas, bem como a criação de gado.
É também um meio industrial e comercial relativamente importante.
Entre as indústrias do concelho das Lages do Pico avultam as seguintes:
Pesca da baleia, que dá ocupação a centenas de pessoas, indústria outrora florescente, mas que, hoje, luta com grandes dificuldades, devido à falta de mercado compensador para os seus produtos, reflexo evidente da crise mundial. Grande fabrico de lacticínios, que são exportados para as Ilhas e Lisboa, em grande escala. Duas moagens de cereais. Brevemente, vai ser inaugurada a iluminação eléctrica da vila e seus arredores, melhoramento importantíssimo devido à patriótica iniciativa de um grupo de lagenses.
O aspecto da vila é deveras atraente, e os seus arredores são encantadores. A noroeste, está a formosa e imponente montanha, que dá o nome à Ilha, admirável pela sua magnificência.
O concelho das Lages do Pico, apesar da sua importância incontestável, há longos anos que foi esquecido pelos Governos, a tal ponto que nem ao menos possui uma estrada que facilite as comunicações das freguesias entre si e com a sede do concelho e portos de mar, sendo ainda hoje utilizados os primitivos e seculares caminhos, quase intransitáveis, do que resulta a impossibilidade das povoações afastadas colocarem os seus produtos, obrigadas a vendê-los por preços mínimos.
No concelho há apenas cerca de 15 quilómetros de estrada, construída há cerca de 25 anos. Os restantes dois concelhos são servidos pela estrada nacional nº 19, em toda a sua extensão.
O porto das Lages, que é muito importante, dando avultado rendimento ao Estado pelo qual faz escala mensal o vapor “Lima”, está em péssimas e perigosas condições por falta de uma verba, relativamente diminuta, para a sua reparação, que há muitos anos vem sendo, baldadamente, solicitada. O mesmo sucede com a muralha destinada a defender a vila do mar, muralha que nunca foi concluída.
De outros melhoramentos, inadiáveis e urgentes, carece o concelho, esses porém mais dependentes da Câmara Municipal.
Mas esta, desde que lhe foram cerceadas as receitas pela supressão do imposto “ad valorem”, ficando a seu cargo as grandes despesas com a instrução primária, nada tem podido fazer, por absoluta carência de recursos, limitando a sua acção a aplicar o imposto braçal na reparação de alguns caminhos.”