
"Homem Atlântico trouxe consigo a insularidade, a lava vulcânica, o verde das urzes e a maresia impregnando a alma. Foi poeta e cantor de sua saudade, bailou a chamarrita, o pezinho, louvou o Divino e pediu proteção a Santo Antônio e a São Pedro, amainou os campos, arrostou o mar, caçou baleias e construiu cidades. Por baixo da pele, expressão escorreita do escritor Onésimo T.Almeida e que aqui tomo emprestada, transportou seus usos e costumes, sua cultura que frutificou para além do último bastião da expansão portuguesa em terras brasileiras, no continente sul-americano.
A história fala de forma inequívoca que o assentamento de casais açorianos e madeirenses no Brasil Meridional não apenas veio preencher um grande vazio demográfico como fortaleceu a política do utis possidetis, dilatando fronteiras e assegurando a posse do território disputado por Portugal e Espanha. A grande andança açoriana por terras do Sul do Brasil e Uruguai representa mais do que um movimento geográfico, significa um movimento do espírito, indomável, na reinvenção da vida no Novo Mundo, na conquista de sonhos e na certeza de realizá-los em terras da América do Sul. Do lado de lá, o desenraizamento da terra açoriana fincada no Atlântico Norte e na margem de cá a nova raiz plantada e reimplantada, enraizada para sempre."