Castelete Sempre

"Este avantajado gigante...é a alta e poderosa muralha natural que defende a Vila das grandes e furiosas tempestades..." Alberto P.Lemos "Pedras Negras"

Nome: Jose Augusto Soares

Segunda-feira, Outubro 29, 2007

Meditar com João de Bettencourt (1)

“Também a terra as prende – o hálito quente da bagacina e do funcho nas noites de luta quieta, o rumor dos laranjais de fresco movimento recolhidos ao abraço dos muros de basalto. Do alto soltam-se as vertentes em que crescem as mãos do inhame e o perfume das rocas reúne o esplendor de uma emoção como aquela em que o amor se conhece e a distância é um nada no coração atento. Os canários lançam na tarde atlântica a partitura do encanto. Podemos ter o mapa na cabeça, a ansiedade do mundo, a sede do horizonte que se perde, mas é bom estar ali”.

Sexta-feira, Outubro 26, 2007

Alfarrabista (9)


Durante muitos anos, foi o único livro que abordava, em termos turísticos, o Pico.
Quando se falava de alguma obra desse género, era inevitável falar de Guido de Monterey.
Hoje já há inúmeros, alguns deles de excelente qualidade gráfica e fotográfica, mas Monterey foi “pioneiro”, nos anos 70.

“Ilha verde com rebordos anegrados e remate de cinza. Ilha que consubstancia em si o ideal do belo, ora suave, ora agreste. Ilha que se desdobra em cambiantes paisagísticos, os mais cativantes, os mais harmoniosos, os mais excelsos”.

Assim começa.

Terça-feira, Outubro 23, 2007

"Grémio", 1957



No antigo e saudoso “Grémio”, em 1957.
José Ermelindo, Eurico Cabral, Ilda Freitas, José João, Eurico Bettencourt, José Amorim, Maria da Nazaré, La-Sallette Bettencourt, Maria Belmira, Manuel Soares, entre outros que não foi possível identificar.
Não havia televisão, parabólicas nem computadores…mas havia confraternização.
Um abraço para os que, passados 50 anos, ainda estão connosco, e um obrigado à Tia Lígia e ao Artur Manuel pela ajuda na identificação de algumas destas pessoas.

Sábado, Outubro 20, 2007

"Caminhos do Divino"



Na Casa dos Açores aqui em Lisboa, realizou-se ontem à noite o lançamento do livro “Caminhos do Divino”, de Lélia Silva Nunes, cabendo a apresentação da autora a Eduíno de Jesus e a da obra a Carlos Enes, antecedendo as palavras da própria Lélia Silva Nunes.
Esta socióloga brasileira, natural de Santa Catarina, de há muito que empreendeu este trabalho, que mostra de maneira evidente as raízes açorianas na celebração das Festas do Espírito Santo. Olha-se para as fotografias das Festas e não se distinguem das açorianas. Aliás, comemoram-se precisamente amanhã 260 anos da primeira partida para Santa Catarina de casais açorianos, que embarcaram em Angra.
Trabalho profusamente ilustrado, ele é o primeiro a ser publicado, mas em 2008 surgirá um segundo, sobre as Festas nos Açores, de que Lélia Silva Nunes nos desvendou a estrutura, e que promete.
Parabéns por este excelente livro.

Terça-feira, Outubro 16, 2007

Extasiado

Era uma tarde de Agosto, mas fresca.
Nada se ouvia, mesmo nada. Silêncio. Total.
Saí do carro e fiquei perfeitamente extasiado a contemplar.
Foi só disparar a máquina fotográfica.
O resultado está aqui.
Não são necessárias mais palavras.

Sexta-feira, Outubro 12, 2007

Dá gosto ouvir


É muito recente este excelente trabalho do Grupo Folclórico da Casa do Povo de São João.
Chama-se “Quebra e Tranceia”.
A música tradicional do Pico está aqui muito bem representada, e é comovente ouvir a “Chamarrita do Meio”, a “Sapateia de Cadeia”, “A Praia”, “O Pézinho”, entre outras.
Parabéns São João, por mais este esforço no sentido da divulgação daquilo que é nosso.
Excelente cd.

Segunda-feira, Outubro 08, 2007

Outros tempos


Disseram-me que o Sr. José Ávila cantava muito bem.
Não lhe perguntei, porque sei que com a sua habitual modéstia, negaria.
Mas…por terceiros, chegou-me às mãos este “documento” que regista uma brincadeira, mais uma das que desapareceram e de que temos muitas saudades. Por isso, não resisto a partilhá-lo.
Ei-lo, com um acompanhamento de respeito: à guitarra o Sr. João Paulino, e à viola o Tio Manuel Xavier.

Três grandes Senhores.

Com um abraço de Amizade ao Sr. José Ávila.

Sexta-feira, Outubro 05, 2007

Meditar com Natália (3)


“A ILHA”

“Com bíceps de basalto
de um pedúnculo ergue
a grega musculatura.
A mergulhada maxila
da Atlântida acaso
pelo calcanhar segura.

sua sulfúrica substância
de se revolver como água
com cio dentro da bilha
e por frementes cabelos
reparte a ira vulcânica
de sendo garça ficar ilha.

Com meneios de hortênsias tenta
quebrar-se pela cintura
frutos eléctricos acrescenta
porém à sua fartura
de inhames em que se espreguiça
esgarçando a nevoenta costura
do vestido de oceânica brisa.

Que a submersa geografia
de que os seus bosques são a crista
sacuda o oceano e fique
com a plumagem toda à vista.

Dor de terra decepada
carne de ilhas encobertas
coagulada em açoriana
viola de cordas amarelas.”

Quarta-feira, Outubro 03, 2007

Alfarrabista (8)


“…Desde a quarta-feira povoa-se a casa do imperador de enorme quantidade de mulherio, para se começar a coser o pão. As raparigas, à porfia, com o desejo de adquirirem fama de valentia e governadas, esfalfam-se a amassar o pão, com aparência de não lhes custar o trabalho. As velhas dão sentenças e brigam por despeito de mais experiência e prática.
De toda a freguesia chovem presentes de leite para o pão do S.E. Santo.

…Chega o domingo, o dia da coroação. De manhã, muito cedo, ainda escuro, um formigueiro de raparigas que passaram a noite a trabalhar, saem a levar por toda a freguesia tigelas com sopas do E. Santo.
Todos os imperadores têm de cumprir esse dever.”


Gervásio Lima
1932

01 Montanha do meu...