Castelete Sempre

"Este avantajado gigante...é a alta e poderosa muralha natural que defende a Vila das grandes e furiosas tempestades..." Alberto P.Lemos "Pedras Negras"

Nome: Jose Augusto Soares

Sábado, Setembro 29, 2007

Grupo Coral das Lajes do Pico


O auditório da Biblioteca Bento de Jesus Caraça, na Moita, encheu ontem à noite para ouvir cantar o Grupo Coral das Lajes do Pico.
Muitos picarotos residentes no Continente não quiseram faltar, apoiando o Grupo e aproveitando para matar saudades de amigos e da Terra.
Preenchendo a quase totalidade do programa com canções do folclore açoriano, o Maestro Emílio Porto fez-nos a vontade, consciente do que gostaríamos que o Grupo cantasse.
É indescritível, para quem está longe, ouvir por exemplo, o “Boi do Mar”, a “Lira” ou “Ilhas de Bruma”. Esta última a funcionar como “ex-libris” do grupo, que a entoa como nenhum outro. Algumas lágrimas rolaram, inevitáveis.
Os aplausos não foram de circunstância. Foram merecidos, e mais do que isso, muito sentidos. As Lajes, o Pico e o próprio arquipélago, têm ali um digno embaixador, que eleva bem alto a qualidade musical das gentes das Ilhas.
Actuam amanhã em Sines, e na segunda-feira em Santiago do Cacém.

Por uma noite inesquecível, obrigado Grupo Coral das Lajes.
E parabéns!

Terça-feira, Setembro 25, 2007

Francisco de Lacerda

Poucos compraram este cd. E fizeram mal.
Porque a música de Francisco de Lacerda (1869-1934) está ao nível das melhores.
Se alguma vez se perguntasse num inquérito de rua “Sabe quem foi Francisco de Lacerda?”, o conjunto de respostas seria, por certo, assustador.
E no entanto, este compositor jorgense foi, no seu tempo, uma das grandes figuras da música, a nível nacional mas também internacional.

Nos Açores, foi notável a recolha que fez das canções folclóricas açorianas, muitas das quais teriam desaparecido sem esse trabalho.
E no estrangeiro, basta dizer que fez uma carreira de maestro na Alemanha e em França, numa época em que só os muito talentosos vingavam.
Amigo de Falla, Albeniz e Eric Satie, entre outros, Lacerda dirigiu os “Grandes Concertos Clássicos” de Marselha, antes da primeira Grande Guerra, funda em 1921 a “Filarmonia de Lisboa”, que se notabilizou no Teatro S.Carlos, e fez parte, com pouco mais de 30 anos, do Júri da Exposição Universal de Paris.

“Personalidade brilhante, dotado de notável cultura artística e literária”, assim se referiu Fernando Lopes-Graça ao compositor açoriano.

E os Açores?
Lembram-no?









Sábado, Setembro 22, 2007

1 ano

Pensei lançar este blogue nas férias do ano passado.
Conhecia alguns outros feitos nas Lajes, e achava-os pouco interessantes, para não dizer dignificantes. Dir-se-ia que a razão da sua existência era apenas a crítica, a intriga, o “diz-se diz-se”, tudo encoberto e protegido por um anonimato que teimava (e teima) em persistir, porque cómodo. A pouco e pouco, no entanto, a situação foi melhorando.
O “Castelete Sempre” não serviria para isso.
Não deixaria de apontar aquilo que o seu autor entendesse menos bem ou correcto, mas o seu norte seria o de divulgar, numa perspectiva positiva e construtiva, a Vila, a Ilha, os Açores.
Faz hoje 1 ano que começou.
Por ele passaram, e continuarão a passar, escritores açorianos, desde os consagrados aos menos conhecidos, mas todos eles imbuídos do Amor a esta Terra, que apesar de desprezada e menosprezada, amiúde pelos próprios picarotos, assume a sua importância e valor, indiferente ao caminho que os Homens entendam que ela trilhe.
Ilustrei-o com inúmeras fotografias que tirei, mostrando os espaços, e são quase todos, que julgo não recearem comparação com tudo o que de Belo existe no mundo.
Publiquei ainda muitos testemunhos do passado, desconhecidos para as novas gerações, e que os mais velhos certamente recordaram com alguma emoção e saudade.
Logo ao princípio, tentei animar uma discussão em torno da Festa de Lourdes (Semana dos Baleeiros), fazendo propostas mas acima de tudo, defendendo que é necessário que as pessoas debatam frente a frente, o que pensam e querem da sua Festa maior.
Fui mostrando velhos livros sobre as Ilhas, repletos de actualidade, o que nos deve incomodar e desassossegar. Se há problemas com décadas, vai sendo tempo de os resolver.
E abordei os tais casos mais complicados e de acesa discórdia, opinando em consciência.

Mais do que o número de visitantes, ou de comentários deixados, importa-me saber que muitos o apreciam, o acarinham, o lêem.
Foi bonito, por exemplo, o almoço realizado o mês passado, nas Lajes, com alguns companheiros de “bloguismo” das Ilhas. Pessoas que nada receiam, e que sabem que esta nova forma de comunicação não pode servir para ataques pessoais inconsequentes, mas antes como meio de defender e promover o que é nosso.

O “Castelete Sempre” vai continuar a pugnar por isso.
E obrigado a todos os que gostam verdadeiramente das Lajes, do Pico, e deste arquipélago onde se criou e circula o “sangue velho dos Avós” que não permite estagnação.

Quarta-feira, Setembro 19, 2007

Meditar com Carlos A. Moniz (1)


“Para mim, para se ser açoriano não é obrigatório que se tenha nascido nos Açores. As pessoas não podem ir para os Açores à procura daquilo que geralmente se coloca nos postais ilustrados de outros destinos turísticos. Ninguém pode ir para os Açores à espera de encontrar muito Sol, grandes bronzeados ou muita actividade nocturna. Nos Açores há outro tipo de excitação, de que são exemplo os seus poetas, os seus pintores, os seus escritores, a neblina, o fundo do mar, o verde, ou apenas um banco para nos sentarmos à conversa, sem pressa. Costumo sentar-me num desses bancos com os pescadores do Pico, com quem fico horas à conversa, com os homens que estão a jogar dominó no adro de uma qualquer igreja ou com as “Ti Marias” que fazem renda à porta de casa e me explicam as rendas que fizeram quando se casaram”.

Sábado, Setembro 15, 2007

Meditar com Judite Jorge (1)


“A adega, muito próxima do mar, é toda feita de pedra. Tem no rés-do-chão um lagar, barricas, barris, garrafões e um banco de madeira que vai correndo a parede desde a porta até ao fundo. Em cima, uma só divisão com chão de madeira e um reposteiro ao meio. Nas Pontas Negras é rara a família, por mais pobre que seja, sem a sua adegazinha. Umas são maiores, outras são mais pequenas, mas pouco diferem na sua construção. Há sempre um balcão de onde se avista o mar e uma casa pequena ao lado, ou um telheiro, onde fazer umas brasas para assar o peixe”.

Judite Jorge

Lê-se.
“Vê-se” a adega, “avista-se” o mar.
E “sente-se” o cheiro do peixe a assar…

Quarta-feira, Setembro 12, 2007

Alfarrabista (7)

“Os Açores carecem, porém, em absoluto, de melhores ligações marítimas e de novos aeródromos. Sem navios e sem aviões que as sirvam eficazmente, certas ilhas permanecerão adormecidas e, além de mais, de portas fechadas a essa próspera indústria que é o turismo, que nem mesmo nas ilhas mais favorecidas assentou arraiais em bases sólidas. Com efeito, nos Açores existem somente quatro hotéis, três em S.Miguel e um na Terceira, havendo ilhas só com uma pensão.
Porquê, se os Açores possuem todas as condições para a exploração turística?
Relativamente às ligações marítimas, a panorâmica que se apresenta a quem se propõe visitar os Açores é francamente desanimadora, muito em especial se o propósito é a visita a todas as ilhas, como é próprio do turista do nosso tempo, que gosta de conhecer todas as parcelas de uma região. E os Açores, deverá ter-se em conta, formam um todo, separado apenas pelo elemento líquido. Com os navios que partem de Lisboa a aportar unicamente a S.Miguel, à Terceira e ao Faial, com um único navio a efectuar o serviço entre ilhas e com os poucos aeródromos que existem, uma visita ao arquipélago exige aturado estudo, a menos que se queira passar uma hora ou oito dias numa ilha. Muito há a fazer nos Açores em matéria de turismo. Mas, primeiro que tudo, é necessário abrir aos turistas todos os caminhos açorianos, através de todas as ilhas.”

Vasco Callixto
1973

Passaram 34 anos.
Mas dir-se-ia... que o texto se mantém muito actual....

Domingo, Setembro 09, 2007

Outros tempos


Os mais novos não sabem, e ainda bem, as dificuldades que, por vezes, sentiam os passageiros vindos da Horta para desembarcar na Madalena.
Mas os mais velhos, esses, certamente estarão bem lembrados.
Esta fotografia da “Espalamaca” (que hoje apodrece vergonhosamente à vista de todos) espelha a situação, e pode ser vista no "Café Central".
Era complicado atracar, e depois não era fácil sair do barco. Havia que esperar o momento em que este estivesse à altura do cais…e auxiliados por dois homens, que muitas vezes nos “puxavam” à força de braços.

Face a isto, o porto actual e os “Cruzeiros”…são um luxo!

Quinta-feira, Setembro 06, 2007

Meditar com Sidónio Bettencourt (1)

“pousar na luz o olhar de fora e medir nos passos a raiz descendente. dizer à ilha presente e fogo na alegria do reencontro. correr para dentro o desejo da descoberta, fervor do mar na devastação da terra. homens e mulheres. silêncio de segredos. neblina e claridade. instantes de um só tempo: a criação. rasga a herança em pedaços de amor. o trajecto. os passos, a paixão que se reflecte em aliança. a família o tesouro e a intuição, o impulso da memória. assim o pico se resguarda no coração. entre nós.”

Segunda-feira, Setembro 03, 2007

"Os Flechas"


Há dias, assistindo na esplanada da Filarmónica ao “baile”, lembrei-me de outros bailes, melhor dizendo, a bailes propriamente ditos…
Naquele espaço, na altura mais pequeno, tocavam "Os Flechas”.
Lembram-se?
O tio Xavier, o João Soares, o Gilberto, o João Azevedo e o Carlos José.
Recordei-os.
E não me apeteceu continuar a assistir ao “baile” dessa noite.
Fui para casa…

01 Montanha do meu...