Castelete Sempre

"Este avantajado gigante...é a alta e poderosa muralha natural que defende a Vila das grandes e furiosas tempestades..." Alberto P.Lemos "Pedras Negras"

Nome: Jose Augusto Soares

Terça-feira, Novembro 28, 2006

Ivone Chinita (com um abraço para o Amigo João Ávila)


S. MATEUS POR EXEMPLO

fica tranquila, direi o que quero
daí neste natal, tranquiliza-te,
um saco de plástico purificado
cheio de mar, um copo de vinho,
um cesto de lapas, um pouco
de tabaco, um postal ilustrado
neste natal, direi o que quero
um chá quente em barro da lagoa
um copo de vinho, dois copos de
vinho de cheiro, umas favas de
molho, uma vaca a abanar o rabo
em pasto verde, o céu cinzento
38º de humidade relativa que
me façam vomitar cinco anos de
angústia
fica tranquila, neste natal
vais enviar-nos a ilha ou
S. Mateus, por exemplo

Ivone Chinita (in) Outra versão da Casa

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

"Passeio" na Horta


E se todos os "passeios" açorianos fossem como este?
Forma simples de defender e divulgar o nosso património.
Parabéns Horta!

Sábado, Novembro 25, 2006

Meditar com Natália (1)


"Os homens copiavam os anjos;
Os anjos copiavam os homens;
Ambos copiavam a inocência;
A inocência copiava as feras.

As feras devoraram os homens;
Os anjos devoraram as feras.
A inocência vestiu-se de roxo.
Pelo luto das futuras eras."

"Violentámos a natureza quando matámos as nossas feras"

Quinta-feira, Novembro 23, 2006

Alfarrabista(2)

"...No entretanto, desde a riba, a partir do assento do mosteiro de São Francisco e das casas da vila, a escalada da vista vai descobrindo e louvando heróicos amanhos de terra de searas até ao alto das colinas, de onde não podia ser removida a rocha de basalto.
Mas a melhor herdade da gente do Pico começa no mar e não tem lindas, senão a dos temporais e as da morte. Compreende-se bem que os picotos voltem costas à terra, tão dura, para a esperança do seu trabalho e tão ingrata para o seu amor.
Os olhos vão-se perdendo em arrebatados saltos, desde o castelo com a sua ossada de rochedos, entontecidos pelas voltas do moinho de vento, até à ponta por onde agora se estende a sorrir aquela doce aldeia de São-João. Daqui não se avista outra ilha do grupo central. Pela costa, alta em quási toda a linha, dispersa-se a vila das Lajes, em núcleos de casotas mal agrupadas, abrigando-se da serra e mirando-se no espelho do Atlântico, tesouro e perdição das famílias que as habitam".

"...Terra mais alta das lusitanas terras, mais bravo mar e mais turvado céu - aqui se admiram e fazem concêrto as maiores obras da natureza que aos Portugueses couberam na herança do Mundo".

"Descobrindo Ilhas Descobertas"
Hipólito Raposo, 1942

Terça-feira, Novembro 21, 2006

"Espalamaca"


Com bom ou "mau tempo no canal"...as condições de transporte entre o Pico e o Faial eram interessantes...

Domingo, Novembro 19, 2006

"Orgânica" (conclusão)

"Em 1958, porém, surgira na terra um rapaz de poucas falas. Não era devoto, nem adepto do Belenenses, nem gritava pelo Benfica, nem pelo Sporting. Lia o República.
Foi um abalo, na pacífica e democrática terrinha. Nem glórias de campeonatos, nem saber de seleccionados, nem conversa no barbeiro, nem leitura no Café Central... A democracia, golpeada, reagiu. E um bando de garotos, que já democraticamente se lesionava nos minidesafios de verdes contra vermelhos, recebeu de mão incógnita alguns escudos para apedrejar o marginal sem crença, sem leitura aprovada, sem clube, sem alma.
Serviram-no com todos!"

Pois, meus amigos, o autor deste texto, que considero fantástico, é José Martins Garcia, que nasceu na Criação Velha em 1941 e faleceu em Ponta Delgada em 2002.
Foi publicado no "República" de 27 Outubro de 1973, e faz parte de uma antologia de "Crónica Jornalística no Século XX" que Fernando Venâncio compilou há poucos anos, a qual recomendo vivamente. É uma edição do "Círculo de Leitores".

De "Katafaraum Ressurecto" de José Martins Garcia, disse Carlos Câmara Leme:
"Pedrada no charco nalguma intelectualidade açoriana que, numa visão míope,só vê nas ilhas um lugar idílico de vulcões e paisagens".
E David Mourão-Ferreira, referindo-se a este escritor picaroto, afirmou em 1987:
"O seu nome deveria hoje ser saudado como o do escritor mais completo e mais complexo que no último decénio entre nós se revelou".

Pois é, José Martins Garcia.
O Pico não estará esquecido deste seu grande Valor?

Agradeço a todos os que tentaram descobrir o autor. Não era fácil.

Sábado, Novembro 18, 2006

"Orgânica" 2

"Mesmo ao lado da barbearia, o Café Central constituía o ninho dos sportinguistas. O proprietário exagerava as proezas dos "cinco violinos" e contava pelos dedos da gorda mão os campeonatos sucessivos ganhos pela turma verde. E tosquiava-se na barbearia benfiquista. E o barbeiro benfiquista bebia-lhe o café. Talvez a História venha a descobrir o lugar donde brotou a coexistência pacífica que, uma no cravo e outra na ferradura, ou seja, uma na tonsura e outra na bebida, havia de singrar contra a guerra fria, a qual, como é sabido,andava com intenções de enregelar meio mundo.
A Literatura, aliada às correntes de opinião, estava assim distribuída : o barbeiro assinava "A Bola" e o jornal do Benfica; o dono do café assinava o "Record" e o jornal do Sporting. Quanto à terceira força, a dos adeptos belenenses, não era suficientemente forte para dispôr de órgão informativo privado. De modo que a sua manifestação artística era a filarmónica - a qual, no entender dos leitores pragmáticos, se situava num plano de arte pela arte, retórica gratuita, condenada pelos defensores duma arte combativa, na circunstância a dos jornais desportivos já mencionados.
Era assim tudo benévolo na minha natal democracia". (Continua)

Sexta-feira, Novembro 17, 2006

"Orgânica"

"A minha terra natal tinha dois grandes partidos. Era democrática. Apesar dos atritos de opinião, ninguém negava a palavra nem um copo, se a circunstância o exigisse, ao rival. Havia as excepções, como é corrente neste imperfeito mundo. O chefe da filarmónica era do Belenenses. As beatas, por seu lado, eram pela devoção. Mas o grosso daquela boa gente, ou era do Benfica, ou do Sporting.
O Benfica era muito respeitável, por ter no barbeiro o mais ferrenho adepto. Diziam línguas da oposição sportinguista que as benfiquistas cabeças saíam melhor tosquiadas que as dos rivais. Boatos, provavelmente. O cidadão-barbeiro jurava pelas almas dos seus ter sempre colocado o brio profissional acima das divisões clubistas. Seria, de facto, assim?... Aqui registamos o problema e a História que o resolva." (continua)

Esta pequena narrativa é o início de um texto escrito nos anos 50.
A continuação da delícia será aqui colocada amanhã.
Alguém adivinha quem a escreveu?

Terça-feira, Novembro 14, 2006

1946


"Bonito"!

Domingo, Novembro 12, 2006

Alfarrabista (1)

Não há manhã de sábado que se preze, que não inclua uma passagem por dois ou três alfarrabistas. Estão muito concentrados na zona Chiado/Camões, donde ser fácil não ficar satisfeito apenas com um.

Uma das minhas últimas aquisições é o livro em anexo.

Com uma dedicatória do Autor, que reza assim:
"Ao Carlos Wallenstein, com um abraço do velho amigo
Pedro da Silveira"
25/1/953

É um livro de poemas, dos quais destaco este, muito pequeno, mas que retrata gerações de açorianos. Chama-se "Ilha":

"Só isto:
O céu fechado, uma ganhoa
pairando. Mar. E um barco na distância:
olhos de fome a adivinhar-lhe, à proa,
Califórnias perdidas de abundância."

Sexta-feira, Novembro 10, 2006

Meditar com Nemésio (2)


"Dada a orientação e posição relativa às ilhas mais vizinhas, as costas do canal de S.Jorge e do canal do Faial determinaram, muito depois da ocupação da ilha, a criação de pontos preferidos, nós de tráfico sem a correspondente e necessária preponderância ou superioridade absoluta sobre as demais povoações. Só a vila das Lajes, capitania e assento dos primeiros povoadores, conserva no seu traçado e na massa do seu casario os sinais de uma capitalidade desaparecida.
Era, além disso, a capital baleeira - e a baleia ainda é a grande fonte de riqueza da ilha. Mas até essa importância se deslocou para S.Roque - ou melhor, para o Cais, que é como por lá se diz."

"Corsário das Ilhas", capítulo XI, datado de 26 de Fevereiro de 1947

Meditamos?

Quinta-feira, Novembro 09, 2006

"estrada"?

A Gruta das Torres foi seleccionada para um prémio da União Europeia, atribuído a trabalhos de arquitectura.
Os portugueses só podem ficar orgulhosos.
Mas convém, mesmo antes de se saber os resultados, olhar para a "estrada" que dá acesso ao local.
Se ninguém o fizer, corremos o risco de...ficar sem o prémio...
Percebem o que quero dizer, não é verdade?

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Nas nuvens

Sábado, Novembro 04, 2006

Meditar com Nemésio


Vitorino Nemésio faz parte, por inteiro, da galeria dos meus escritores preferidos. Revisito-o amiúde, aprendo sempre e delicio-me com o estilo, com o conteúdo, com tudo.
Estou novamente com "Corsário das Ilhas", um livro fantástico que relata o regresso, em visita, do grande açoriano ao arquipélago.
E, como é próprio dos Mestres, a escrita de Nemésio deixa-nos frequentemente a meditar sobre o que lemos.
Por exemplo, isto :

"Com mais umas duas singruras eis-me no Pico, ilha sagrada. Os seus esporões de lava parecem dar assento e estrutura ao arquipélago inteiro. Já dizia Chateaubriand, que passou por lá em moço: "inútil farol de noite, sinal sem testemunha de dia". E não é a melancolia e o estilo do jovem Visconde que ali falam. Na verdade, aproando das Velas(S.Jorge) à Horta(Faial) a impressão que tenho, contornando o Pico no rebocador de alto-mar que me embala bem mais do que me leva, é que este bom monstro marinho feito de nuvens e de escória é um puro padrão de utopia - autenticamente um marco levantado em nenhures, como se Plutão quisesse demonstrar a perfeita gratuitidade dos seus movimentos e criações".

Meditamos?

Quinta-feira, Novembro 02, 2006

Rua "Direita" em 1953


Esta fotografia foi tirada pelo meu saudoso primo Eurico Soares Bettencourt.

Quarta-feira, Novembro 01, 2006

"Um local de regresso"


"Nunca considerei os Açores como um lugar onde ir, para mim foi sempre um local de regresso", afirma Romana Petri em recente entrevista. E eu comungo inteiramente da afirmação.
Sabe bem ver esta capa nos escaparates das livrarias de Lisboa!
Pouco mais de 100 páginas. Os "Arcos" poderiam ser as Lajes. E lê-se rapidamente.

01 Montanha do meu...