Castelete Sempre

"Este avantajado gigante...é a alta e poderosa muralha natural que defende a Vila das grandes e furiosas tempestades..." Alberto P.Lemos "Pedras Negras"

Nome: Jose Augusto Soares

Sábado, Setembro 30, 2006

Semana dos Baleeiros -4-

Há um aspecto que pode passar despercebido e que não o devia ser.
Refiro-me ao barulho nocturno.
A maioria das pessoas já não mora na Vila, e portanto, terminado o espectáculo a que assistiu, tomada a última bebida numa das esplanadas, regressa tranquilamente a casa para uma noite sossegada de repouso.
O mesmo não acontece a quem permanece nas Lajes, independentemente da localização.
É que, quando teoricamente a festa acaba, começa uma outra “festa” que, em muitos casos, só termina de manhã.
Quem autoriza estabelecimentos comerciais que difundem música, a permanecerem abertos até de madrugada?
Ninguém se lembrou que existe um Centro de Saúde na Vila? Os pobres doentes terão de sofrer esse martírio? Ou nessa semana deixam de estar doentes e têm “altas” repentinas?
Até às 4 da manhã ninguém dorme. É impossível. Batuques atrás de batuques martelam os ouvidos mesmo de quem não tenha as suas capacidades auditivas em pleno. Sei-o bem, e sabem todos com quem falo nas manhãs do nosso desespero, após uma e mais noites seguidas em claro. Depois dessa hora, começa o desfile, pelas ruas da Vila, dos embriagados esfuziantes, aos berros, a cantar (?).
As ruas acordam com um aspecto desolador, algumas delas vomitadas, mas todas elas sujas, a muralha, desde a Casa dos Botes até à Pesqueira, pejada de copos cheios de cerveja que os donos já não conseguiram beber, um aspecto de ressaca de vendaval nocturno degradante. A propósito, quem terá sido a mente brilhante que concebeu a ideia de vender recipientes com 5 litros de cerveja, com torneira e tudo, a quem tiver mais de 16 anos? Pedem bilhete de identidade? Pelos “espectáculos” que pude presenciar, duvido.
Percebo que os jovens tenham direito à sua festa. Dormem no sossego do dia, recuperam fôlego para a noite seguinte. E os outros? Simplesmente não dormem.
“É só uma semana por ano!” costuma ouvir-se, principalmente a quem reside na Silveira ou mais longe...Experimentem não dormir durante uns dias seguidos, e verão com que alegria festejam a festa...
E há que ter em atenção um fenómeno de alerta, que são os veraneantes, em número crescente, que deixam as Lajes no começo dessa Semana, por saberem que esse momento significa o fim do descanso, que ficar seria uma tortura.
Principalmente o “Clube Náutico” exagerou. Compreendo a boa disposição do gerente, a contrapor à amargura e cansaço da maioria. Terá sido excelente para o negócio, péssimo para todos os outros.
A juventude é dada a exageros, sempre assim foi e será, mas talvez por isso mesmo não lhe deviam ser dadas condições para ultrapassar os limites, leia-se direitos, dos outros. Esses recintos de diversão nocturna não podem estar localizados em áreas residenciais, ou então são cobertos, e isolados acusticamente. Caso contrário, tornam-se facilmente em maus vizinhos.
Os responsáveis por esta situação têm de matutar sobre ela. De nada serve mais policiamento, se foi anteriormente legalizada a hora de encerramento. É nela que reside o problema. A barulheira não pode começar à uma da manhã e terminar quando o sol aparece. Decididamente.

Quinta-feira, Setembro 28, 2006

Não é espantoso?

Domingo, Setembro 24, 2006

Soube bem!


A "Liberdade Lajense", há poucas horas, cumprimentando a Câmara Municipal da Amadora.
Só quem está longe do Pico, e ouve a "sua" filarmónica, sabe o que se sente nestes momentos.

"Semana dos Baleeiros" -3-

Pretende-se, acima de tudo, que a “Semana” seja uma festa popular.
Das Lajes? Concelhia?
Alguns oportunos comentários no artigo anterior vieram, e bem, colocar esta questão. Acredito que seja Concelhia, por nela participarem representantes de outras freguesias, e concordo. Mas dado o carácter único (sem modéstia) do mesmo concelho, seria bom que o espírito da festa não procurasse rivalidade com o que se passa na Madalena ou no Cais, como já aqui escrevi. Valorizemos o que é “nosso”, sem receios nem altivez. E para isso, temos de arranjar o suporte financeiro que o permita, claro. Penso que as lutas partidárias em nada ajudam a consegui-lo, e os Lajenses do concelho têm de perceber que acima disso está a terra. A luta política tem os seus areópagos próprios, a festa nunca será, ou poderá ser, um deles. Só de mãos juntas, unidas no mesmo esforço, se podem colmatar dificuldades próprias da época que vivemos. É difícil suceder? Muito. Noto muita crispação silenciosa, misturando amiúde o essencial com o quase desprezível, o que não é bom. As Lajes não podem sair destas disputas como a única prejudicada.
Percebo igualmente que os organizadores queiram, em crescendo, melhorar a parte dita cultural do Programa, sem perder de vista o universo onde tudo se passa.
Não podemos correr o risco de elitismos, mas também não devemos actuar como se as gerações estagnassem, e a iliteracia de hoje igual à de décadas atrás.
Quando um simpático ancião lajense me disse, indignado, que a Semana estava uma “porcaria, porque agora jogos de cartas no Auditório já fazem parte da festa!”...não tendo percebido que se tratava de uma peça de teatro, pensei no tremendo trabalho que aparece à nossa frente.
As Lajes sempre sofreram dos ódios entre a sua população. Da má-língua. Do mexerico. Das invejas. Tudo é motivo de discussão acesa, quase sempre nas costas do vizinho, tudo está mal, tudo abre caminho, no mínimo, a duas facções, os “prós e contras” do nosso descontentamento, porque basta que isso suceda, para que seja muito difícil algo avançar.
Exemplo bastante elucidativo foi um comentário escrito num dos textos sobre este assunto que publiquei neste blog, com apenas alguns dias de existência. Não vou repetir as palavras porque a boa educação me impede, mas o sentido é claramente o de me chamar “continental” e de “não me meter” em assuntos para os quais não sou chamado. O mal-educado energúmeno é ainda por cima cobarde, pois não se identifica.
Mas esta atitude é precisamente a mesma que tanto atraso tem causado à Vila. São estes profetas da desgraça, estes imobilistas bacocos que pouco sabem e menos fazem, estas línguas viperinas que destilam ódio e veneno sem apresentar alternativas, são estes mesmos que em muito contribuem para a inércia, caminho sempre fácil para a estagnação. Não conseguem dialogar, embalados por outros ódios que nada têm a ver com os assuntos em causa.
Os Açores, o Pico, as Lajes têm na sua História grandes vultos, que o não foram nos reinos da mediocridade ou indigência mental, mas em variados domínios da Cultura, de que todos nos devemos orgulhar. E nem todos frequentaram universidades ou seminários, alguns até só eram licenciados pela escola da Vida. Lembro-me, por exemplo, do Dimas, artesão que guindou bem alto o nome das Lajes, a tal ponto de o bote que está no Museu da Marinha, em Lisboa, ser da sua autoria. Não parece igualmente que Edmundo Machado Ávila fosse um académico, e não precisou disso para ser quem foi. Do próprio Jesus Cristo, no dizer de Pessoa, “não consta que tivesse biblioteca”.
A Cultura popular está ao alcance de todos. Deixará de ser Cultura quando assim não acontecer.
Saúde-se a preocupação em alargar ao máximo o contacto das populações com actividades diversas nesse contexto. Nunca serão de mais, e ainda que possam não ser acarinhadas como deviam no presente, sê-lo-ão, seguramente, no futuro.
Pintura, escultura, literatura, música, teatro, são apenas algumas das maneiras de o fazer. Em horários apropriados, parecendo-me que a hora do jantar não é a mais indicada para estas iniciativas. E elas têm de estar mais intervaladas, temos de dar tempo às pessoas para poder passear pela Vila, beber qualquer coisa, conversar. De afogadilho parece-me exagero.
Mas é por aí!

Sábado, Setembro 23, 2006

Que saudades!

Sexta-feira, Setembro 22, 2006

Bravenet counter

Bravenet counter

Quinta-feira, Setembro 21, 2006

"Semana dos Baleeiros" -2-

Parto do princípio, que me parece óbvio, que a Câmara reserva, no seu orçamento anual, determinada verba para a festa. Não pretenderá ter lucro, mas também não estará interessada em exceder esse montante.
Contará evidentemente com outros apoios para complementar a quantia e poder fazer face aos encargos.
Assim sendo, torna-se claro que em 2006 esses apoios não atingiram o nível que a Câmara esperaria, a julgar pelas palavras de Sara Santos.
Então há que perceber duas coisas: ou os encargos são demasiado elevados e há que reduzi-los, ou não são e mesmo assim os apoios são insuficientes.
Porque é que os apoios não são suficientes? As Lajes têm uma população que não chega a trezentos habitantes no Inverno, número que só aumenta exponencialmente no Verão. Ou seja, o comércio existente, salvo honrosas excepções, não terá grandes verbas para investir na festa, ainda que daí possa advir um substancial aumento dos lucros. Mas é preciso pedir aos comerciantes um esforço, evidenciar que eles serão os primeiros beneficiados com mais pessoas na Vila durante uma semana, e aumentar o seu espaço publicitário em tudo o que diga respeito à promoção da festa. Os cafés, restaurantes, pequeno comércio não aderem? Não aumentam as suas receitas nesse período?
Tratemos então da despesa superior ao orçamento.
Que se pode fazer para obstar a esta situação? Três hipóteses:
- Aumentar o “Budget” da Câmara;
- Redução do tempo da festa, encurtando os sete dias;
- Manter o período mas cortar em algumas despesas, melhor, nas maiores despesas.
Poderá haver mais, mas são estas que me ocorrem.
Como me parece, e é razoável, que a edilidade não possa disponibilizar mais verba, fiquemos pelas outras duas soluções.
Há quem defenda uma redução, argumentando que são demasiados dias, que não há programa aliciante para toda a semana, que as primeiras noites são normalmente muito fracas em termos de público, que essa decisão faria baixar os custos. Há até quem defenda essa posição baseado nas durações das festas das outras vilas.
Discordo.
Há actividades interessantes e diversificadas para preencher um Programa aliciante, sendo necessário não cometer algumas “loucuras” (pelo menos entendo-as assim) de que a seguir falarei.
A “Semana dos Baleeiros”, em honra de Nossa Senhora de Lourdes, deverá, na minha opinião, ter a duração de sete dias, a que correspondem naturalmente sete noites.
Para que isso se torne possível, e a Câmara possa fazer face ao encargo, fiquemos então na terceira hipótese, que se consubstancia no corte de algumas despesas.
Para além do Programa Religioso, no qual não se deve tocar, e portanto não constitui preocupação, existe um mundo de soluções que, racionalmente, deve ser gerido tendo em atenção os custos, mas também o alvo que quer atingir ou a que se destina.
E qual é? Os Lajenses, em primeiro lugar, e os forasteiros, não perdendo de vista as faixas etárias que constituem ambos. Os interesses de uns não são o de outros, mas a todos há que contentar. Para que se possam rever nas actividades planeadas, e fruir da festa ou parte dela com satisfação, e ainda que agradar a “gregos e troianos” seja quase utópico, terá de ser possível equilibrar as propostas.
Primeira grande medida a tomar: aproveitar ao máximo os “recursos” da Vila, do Concelho, da Ilha. Não só se divulga o que é nosso, como automaticamente refreamos as despesas. Julgo que até teremos oferta em excesso para os sete dias.
Assim, no plano musical temos as Filarmónicas (para quê ir buscar a S.Miguel ou qualquer outra ilha?), os grupos de folclore ou de música popular (como foi bom ouvir o “Trovas do Sul”!), corais, solistas, orquestras, companhias teatrais. Quanto custa trazer às Lajes um grupo do Continente? Muitíssimo. Será razoável que, para a noite de sábado ou domingo, essa atracção possa ser oferecida, mas não faz qualquer sentido ocupar algumas noites com encargos desse género, para gáudio de uns quantos miúdos que ouvem aquela barulheira engolindo cervejas e shot’s até cair. Evidentemente que não teremos, todos os anos, uma Orquestra Sinfónica Juvenil à disposição. Mas é bem possível arranjar alternativa credível nesse campo musical, e bem mais baratos que alguns conjuntos que por aí se viram. Que ninguém conhece.
No desporto, privilegiando tudo o que envolva os botes baleeiros, temos o futebol e teremos campo de jogos. É tradição que não se deve perder.
O voleibol do Pico está entre os grandes do país, e é filão que deve ser explorado, bem como o hóquei em patins.
Quanto ás outras actividades ditas de animação, começaria pela esplanada da Filarmónica, que não deve funcionar apenas em alguns dias. É um espaço que, com algumas obras, serviria à perfeição para muita coisa. Já pensaram num bingo?
O cinema não deve ser apresentado como parte integrante da festa. Compreender-se-ia que assim fosse em tempos idos, em que nada havia, não agora com uma bela sala (quando o ar condicionado funciona) onde são projectados filmes com bastante frequência.
E chego à parte denominada cultural.
Foi confrangedor assistir a espectáculos de grande qualidade no Auditório Municipal com o público a ser constituído por meia dúzia de pessoas. Falta de divulgação? Puro desinteresse?
Constato, com prazer, que foi nesta área que a festa progrediu com mais evidência. Nota-se um esforço louvável por diversificar a oferta, mas se a procura não alimenta esses projectos, corre-se o risco do desânimo, que urge a todo o custo impedir.
A Organização tem de ter em atenção os horários, a multiplicidade de actividades em simultâneo, que sempre provocam alguma “instabilidade” no espírito de quem quer assistir a algumas ou muitas delas. E acrescente-se o tradicional atraso e falta de pontualidade, para completar um cenário de desorientação e comodismo.
O povo que encheu a Matriz para ouvir a Orquestra Sinfónica Juvenil com o Grupo Coral das Lajes do Pico, não é seguramente o mesmo que foi ouvir os “Terrakota”, tornando-se claro, por um lado, que há espaço para todos, por outro que é fundamental primar pela Qualidade em todos os sentidos.
Aproveite-se a festa para fazer lançamentos de livros, de cd’s, façam-se exposições, aproveite-se o belo espaço criado no Forte de Santa Catarina, peça-se mais contribuição da Universidade dos Açores, por exemplo, e dê-se novo impulso a toda esta parte da festa. Penso sinceramente que, contra ventos e marés, já se conseguiu em 2006 abanar um pouco o marasmo até há pouco sentido, e o caminho só pode ser um: continuar por aí.
Concordam?

Terça-feira, Setembro 19, 2006

"Semana dos Baleeiros" -1-

Durante décadas houve a Festa de Lourdes. Programa essencialmente religioso, que se manteve até aos dias de hoje, desde as novenas que antecediam os dias de festa propriamente ditos até à Procissão de domingo, cujo ponto alto era o Sermão na Pesqueira. E já aí se evidenciava a fé dos Baleeiros, que se curvavam e beijavam os pés da Senhora, pedindo-lhe protecção nas suas arriscadas azáfamas, dando o mote, ainda que sem dar por isso, para aquilo que em boa hora se chamou de “Semana dos Baleeiros” nos anos oitenta.
A “Festa de Lourdes” como que se fundiu na “Semana”, ou esta ocupou o lugar primordial, ainda que honrando a primeira.
Dá-se nesta altura um fenómeno curioso, que se traduziu na passagem de umas festividades marcadamente religiosas para outras que, não querendo perder essa característica, procuraram ir para além disso, e atrair outra gente, ou mais gente, às Lajes. Sem questionar a importância das festas realizadas até então, a “Semana” procurava dar resposta a outro tipo de iniciativas (diferente de necessidades) que fosse capaz de alargar, sem beliscar, o carácter profundamente cristão do fim-de-semana de Lourdes.
Aqui chegado, julgo ser pertinente analisar uma questão de fundo que parece importante: que se pretende com a “Semana dos Baleeiros” em honra de Nossa Senhora de Lourdes?
Para qualquer Lajense, preservar o espírito de Lourdes e homenagear os heróis baleeiros. Não é um objectivo cómodo que contente todos, é um sentimento genuíno e generalizado. Ou seja, defender o seu património religioso e em simultâneo não esquecer os seus bravos.
Património. Palavra -chave.
As Lajes têm uma individualidade própria, que lhe confere uma personalidade que se pretende férrea, e que tem de se evidenciar em tudo o que lhe diga respeito. Não pode nem deve procurar estabelecer comparações com as festas das outras vilas, se tem mais ou menos assistentes, maior ou menor movimento. Não. Lourdes e os Baleeiros, são diferentes de Santa Maria Madalena ou do Cais de qualquer mês. As Lajes são únicas e disso nos devemos orgulhar. E se somos preteridos em diversas áreas, saibamos responder com convicção na defesa dos nossos valores, pois esses não nos podem tirar.
Temos um património baleeiro ímpar. Não foi por acaso que o centro nevrálgico da Vila mudou, sem quase se dar por isso, da Rua Direita para a orla marítima, em poucos anos. Isso aconteceu porque era inevitável, O Museu, o “whale-watching”, a Pesqueira, as embarcações, tudo isso mais não é do que a nossa História a clamar bem alto “É aqui!”.
E a Vila terá, na minha opinião, de saber criar as condições para alargar essa divulgação, que parte do mar, mas terá de se expandir por toda a localidade.
Lourdes e os Baleeiros.
Não podemos é descurar nenhum pequeno ou grande aspecto básico na organização.
E se a Câmara e a Associação Terra Baleeira tratam da parte laica, há que chamar a atenção de quem se ocupa do programa religioso que este começa por ser construído na própria Igreja. Que tristeza olhar para a Igreja Matriz e ver que apenas algumas paredes foram pintadas (caiadas?). E as torres? Não fazem parte? Não podemos dar a quem nos visita, nem a nós próprios, a sensação, quase certeza, de que a matriz das Lajes é a menos conservada exteriormente entre todas as Igrejas da Ilha. Até porque é nela que mora a Senhora de Lourdes.
Resumindo esta primeira abordagem ao tema: obviamente que a festa deverá honrar a padroeira dos Baleeiros, e estes deverão dar-lhe o nome.
Vamos lá então debater esta questão, com a qual tudo principia, e que penso poder ser quase consensual. Fico à espera de comentários.

Segunda-feira, Setembro 18, 2006

Semana dos Baleeiros

Acabou a “Semana dos Baleeiros” 2006.
Sobre o assunto muito se disse, e depois escreveu, mas pessoalmente o que mais me alertou para a importância do mesmo foi um discurso da Senhora Presidente da Câmara das Lajes do Pico.
Sara Santos afirmou que continuando tudo como até aqui, poderia estar em causa a realização, nos moldes actuais, de próximas “Semanas”. Ouvi e não esqueci.
Se a responsável máxima da autarquia e da Festa em questão, coloca assim o problema, devemos todos participar numa troca de ideias e sugestões para que a situação possa ser ultrapassada.
Não sou das Lajes, embora a considere a “minha terra”. Participo na medida do possível, isto é, escrevendo umas linhas semanais no “O Dever”, nas questões que me parecem disso merecedoras, nada me interessando o quadrante político de quem quer que seja. Entendo que acima da política está a terra e os seus interesses.
Sou uma “mosca de Verão”. E ainda que ninguém me tenha pedido a opinião, julgo ser meu dever, como apaixonado pela Vila, dar o meu contributo para uma discussão que deve ser serena e construtiva, para o bem da Festa, das Lajes e de todos nós.
Desenvolverei alguns temas que me parecem os essenciais, e que poderão levar-nos a conclusões objectivas que contribuam, esperemos, para a melhor solução.
Assim, irei falar sobre o que entendo ser o Património das Lajes que importa preservar e desenvolver, o espírito das Festas, a duração, os apoios, custos e receitas, os Programas, os locais das várias actividades, artistas convidados, a animação.
Trabalho árduo, mas que julgo ser dever de cada um de nós, porque dizer bem ou mal de algo implica a consciência moral de ter participado, directa ou indirectamente, na sua elaboração. Quem não o faz, perde naturalmente esse direito, e corre o risco de louvar ou denegrir gratuitamente.
Não detenho verdades absolutas, até porque acho que ninguém tem esse dom, apenas me animando o propósito de desencadear uma discussão que pretendo plural e atempada. 2007 está quase aí.
As palavras de Sara Santos merecem reflexão.
É o que farei neste espaço a partir de amanhã.
Pelas Lajes!

Domingo, Setembro 17, 2006

A Frase da Semana

“Um tiro de estupidez, em estado puro, bem entre os olhos dos espectadores”

ATV (Associação de Telespectadores) a propósito do programa “Câmara Café” da RTP

Sábado, Setembro 16, 2006

"Sol" nascente

“Sol” nascente


A avaliar pelo tempo que aguardei em fila, junto ao quiosque onde habitualmente compro os jornais, os dois semanários (“Expresso” e “Sol”) devem ter vendido muito bem, o que se esperava. Não pelo conteúdo de um ou outro, mas pela “guerra” surda e fria que antecedeu o aparecimento do novo jornal, concorrente directo de Pinto Balsemão. Uma disputa que me pareceu exagerada, um “lavar de roupa suja” nada edificante para as comadres. E diga-se, a propósito, que bem pior andou quem chegava do que os que já existiam.
Comprei os dois. Condição essencial para ajuizar. Muitos assim fizeram.
Terminada a leitura, salto para o computador para transmitir o que penso.
A luz do sol é fraca quando este nasce. Bonita, mas fraca. Em muitos dias melhora à medida que vai subindo, mas nem sempre. Há dias em que chega a nem aparecer, tantas as nuvens que o encobrem. Assim me pareceu este “Sol”.
Soube-me a pouco. Achei a análise política algo débil, e pareceu-me que a linha editorial tem tendência a fugir para o “fácil”, para o escândalo, para o pesadelo.
Não me interessa nada saber o que Paulo Portas pensa de um filme, ou o mesmo autor como crítico cinematográfico, e muito menos o que Margarida “Cor-de-rosa” Rebelo Pinto entende de sexo. E aqui começa um dos problemas do jornal.
Por muito peso que o Director tenha numa publicação, e José António Saraiva tinha e tem, a massa humana que saiu do “Expresso” era constituída fundamentalmente por quem construía o esqueleto do jornal, não por quem o escrevia. Sendo evidente que se torna claro para todos que um jornal está ou não bem gizado, com divisões temáticas sugestivas ou nem por isso, diria que o cerne da questão está no que lá vem escrito, ou seja, no corpo redactorial e nos colaboradores. E aí, o “Sol” terá bem menos hipóteses de triunfo, porque não conseguiu ou não soube atrair pessoas que guindassem o jornal a outro nível. Marcelo Rebelo de Sousa é trunfo que vem cansando, fazendo lembrar o humorista Herman, que por tanto aparecer, já satura.
Repito, soube-me a pouco.
O “Expresso” continua igual a si próprio, notando-se que houve um cuidado naturalmente mais esmerado no conteúdo, mas manteve inalterável a estrutura, os colaboradores e a linha de orientação.
O “Sol” está no princípio, o “Expresso” tem perto de trinta e cinco anos.
É propósito do primeiro ultrapassar o segundo, em vendas, nos primeiros seis meses, tarefa que considero muito, mas muito difícil, se continuar a trilhar o caminho que apresentou como seu nesta edição.
Por mim vou continuar a comprar...a “Visão”.
E se em algum sábado me apetecer comprar um deles, optarei pelo “Expresso”.

Sexta-feira, Setembro 15, 2006

Castelete Sempre

Castelete Sempre

Dois homens, o mesmo exemplo

Dois homens, o mesmo exemplo


De há muito que a minha admiração por estes dois homens não tem limite.
Conheço-os desde miúdo, e sempre os vi integrados na Liberdade Lajense, nas melhores e nas piores fases, no fulgor e na inquietação. Contra ventos e marés, quando o mais fácil seria desistir, seguir o mesmo destino de outros, eles ficaram, sempre, mostrando o que vale o amor a uma causa, a uma Instituição, independentemente dos sacrifícios que isso lhes acarretava.
São diferentes como pessoas, mas percebe-se facilmente em ambos um estar na vida tranquilo, sem sobressaltos, coerente, estado de alma que lhes advém da sensação de dever cumprido, de exemplo a seguir por toda aquela criançada que os rodeia nos coretos ou nos desfiles, de fidelidade à Arte, à filarmónica, às Lajes.
Quando os vejo tocar, sinto um orgulho enorme por poder conviver com estes dois músicos que fazem recuar o meu pensamento para tempos idos, quando já integravam a Liberdade Lajense, acompanhados por outros bem mais velhos. É qualquer coisa que mexe comigo, que emociona, que faz volver à juventude, a pessoas queridas já desaparecidas, ao passado. Eles são a âncora que segura a embarcação no mar das recordações, dizendo-nos que enquanto houver homens da sua têmpera, nada morrerá e tudo poderá continuar.
José Ermelindo e Faria.
Dois grandes Lajenses que de uma maneira discreta e singela sabem honrar a farda que garbosamente envergam, a Filarmónica onde cresceram e envelheceram, a Vila que é a sua e que os respeita como merecem.
Tudo enfrentaram, souberam participar humildemente nos sucessos e nos desaires, até porque a sua consciência de músicos lhes facilita essa compreensão, e ficaram, sólidos como o Castelete, na salvaguarda da representação da sua terra. O José Ermelindo há 53 anos, e o Faria perto disso!
Caros amigos, tenho pena de não saber testemunhar melhor, em poucas linhas, a admiração e respeito que tenho por ambos. Mas sempre aproveito para lançar um simples repto à Direcção da Liberdade Lajense: não será tempo de homenagear estas duas grandes figuras?
Eles merecem bem mais do que isso, mas é tempo, sim!
É que nos tempos que vão correndo, temos de saber dizer “Obrigado” a quem soube justificar esse agradecimento através de toda a sua vida. De preferência enquanto as pessoas estão entre nós.
José Ermelindo e Faria estarão durante muitos anos, estou certo e desejo, mas a Filarmónica deve pensar neste assunto.
Se me permitem a sugestão.

01 Montanha do meu...