Semana dos Baleeiros -4-
Refiro-me ao barulho nocturno.
A maioria das pessoas já não mora na Vila, e portanto, terminado o espectáculo a que assistiu, tomada a última bebida numa das esplanadas, regressa tranquilamente a casa para uma noite sossegada de repouso.
O mesmo não acontece a quem permanece nas Lajes, independentemente da localização.
É que, quando teoricamente a festa acaba, começa uma outra “festa” que, em muitos casos, só termina de manhã.
Quem autoriza estabelecimentos comerciais que difundem música, a permanecerem abertos até de madrugada?
Ninguém se lembrou que existe um Centro de Saúde na Vila? Os pobres doentes terão de sofrer esse martírio? Ou nessa semana deixam de estar doentes e têm “altas” repentinas?
Até às 4 da manhã ninguém dorme. É impossível. Batuques atrás de batuques martelam os ouvidos mesmo de quem não tenha as suas capacidades auditivas em pleno. Sei-o bem, e sabem todos com quem falo nas manhãs do nosso desespero, após uma e mais noites seguidas em claro. Depois dessa hora, começa o desfile, pelas ruas da Vila, dos embriagados esfuziantes, aos berros, a cantar (?).
As ruas acordam com um aspecto desolador, algumas delas vomitadas, mas todas elas sujas, a muralha, desde a Casa dos Botes até à Pesqueira, pejada de copos cheios de cerveja que os donos já não conseguiram beber, um aspecto de ressaca de vendaval nocturno degradante. A propósito, quem terá sido a mente brilhante que concebeu a ideia de vender recipientes com 5 litros de cerveja, com torneira e tudo, a quem tiver mais de 16 anos? Pedem bilhete de identidade? Pelos “espectáculos” que pude presenciar, duvido.
Percebo que os jovens tenham direito à sua festa. Dormem no sossego do dia, recuperam fôlego para a noite seguinte. E os outros? Simplesmente não dormem.
“É só uma semana por ano!” costuma ouvir-se, principalmente a quem reside na Silveira ou mais longe...Experimentem não dormir durante uns dias seguidos, e verão com que alegria festejam a festa...
E há que ter em atenção um fenómeno de alerta, que são os veraneantes, em número crescente, que deixam as Lajes no começo dessa Semana, por saberem que esse momento significa o fim do descanso, que ficar seria uma tortura.
Principalmente o “Clube Náutico” exagerou. Compreendo a boa disposição do gerente, a contrapor à amargura e cansaço da maioria. Terá sido excelente para o negócio, péssimo para todos os outros.
A juventude é dada a exageros, sempre assim foi e será, mas talvez por isso mesmo não lhe deviam ser dadas condições para ultrapassar os limites, leia-se direitos, dos outros. Esses recintos de diversão nocturna não podem estar localizados em áreas residenciais, ou então são cobertos, e isolados acusticamente. Caso contrário, tornam-se facilmente em maus vizinhos.
Os responsáveis por esta situação têm de matutar sobre ela. De nada serve mais policiamento, se foi anteriormente legalizada a hora de encerramento. É nela que reside o problema. A barulheira não pode começar à uma da manhã e terminar quando o sol aparece. Decididamente.





