Castelete Sempre

"Este avantajado gigante...é a alta e poderosa muralha natural que defende a Vila das grandes e furiosas tempestades..." Alberto P.Lemos "Pedras Negras"

Nome: Jose Augusto Soares

Sábado, Dezembro 19, 2009

Meditar com Alegre (3)



“Dentro de cada imagem há outra imagem
e a terra treme ainda que não trema
e até mesmo o silêncio é linguagem
e as pedras são as pedras do poema.

No ar que se respira há um perfume
e a terra é como página já escrita
onde a palavra pulsa e me reúne
para dizer a Ilha nunca dita.

Sabe a primeira vez e a nunca visto
eu olho e não resisto à tentação
há música no ar e o Pico é isto
um poema que está feito e passo à mão.”

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Grande Poeta, Grande Senhor, Grande Português. Obrigado, Manuel Alegre por seres uma das mais belas e firmes justificações da nossa língua e da nossa nacionalidade.
Vamberto Freitas

3:00 PM  
Anonymous chansonnette said...

Que o poema tenha carne
ossos vísceras destino
que seja pedra e alarme
ou mãos sujas de menino.



de Hélia Correia, também ela apaixonada pelos clássicos. Entre as palavras e os silêncios, Hélia Correia e Manuel Alegre, um e outro na busca incessante da sua Ítaca.

4:21 PM  
Blogger Mar de Bem said...

"Sabe a primeira vez e a nunca visto...", aqui Manuel Alegre acertou na mouche. O Pico é isto, é-o!
Tu nunca o tens como certo, tu nunca o tens como o queres. Ele é inesperado e no entanto fidedigno. Ele tem uma pose volúvel e, apesar disso, firme. Tu não o tens e, no entanto ele te pertence e te abriga. O Pico é o sempiterno amante que não te recolhe, mas te acolhe...e nunca sabes quando...porque a alma da Terra intrínsecamente o vai comandando...Tu é que és dele. Ele é o gigante solitário que nos dá, por vezes, o seu aconchego, até que o tempo, de mau, te faça chorar de saudades...dele mesmo...porque o sentes, mas não o vês...

Ai, Pico, Pico, que me derrubas!!!

4:29 PM  
Blogger Ibel said...

Não conheço o Pico, mas cresce-me a vontade de o desvendar.Ao mesmo tempo temo o encontro, com receio de que a realidade não supere a beleza do mistério que as palavras vão revelando.São palavras de poetas.E o poeta ama a beleza, mas trasfigura-a, acrescentando-lhe o canto da sereia.
Margarida,adorei o teu comentário.
Zé Augusto, com o poema do Manel Alegre, o Pico fez-se Natal.Que este seja Bom para todos e que saiba "a primeira vez".
Abraço

1:07 AM  

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