Meditar com Adelaide Baptista (2)

“A ilha, na sua mais recente concepção, deixa de ser lugar de refúgio, exílio utópico feito de marasmo e de espera, para representar apenas uma fase na vida do homem, através da qual este atinge maturidade emocional e intelectual. Ela, que era fruto da pura imaginação para se ver transformada mais tarde em lugar de chegada, é agora ponto de partida. A ilha passiva, fechada, de costas voltadas para o mar, abre-se e, em diálogo com o mar, transforma-se na ilha mítica, centro do universo, de que nos fala Mircea Eliade.
…a ilha tanto pode representar enclausuramento, petrificação, morte, isolamento, como liberdade, iniciação e aventura, dependendo da vontade dos homens.
…o picaroto, homem da terra e do mar é, de todos os açorianos, aquele que mais em si consigna a dualidade.”
…a ilha tanto pode representar enclausuramento, petrificação, morte, isolamento, como liberdade, iniciação e aventura, dependendo da vontade dos homens.
…o picaroto, homem da terra e do mar é, de todos os açorianos, aquele que mais em si consigna a dualidade.”



8 Comments:
Caríssimo José Augusto,
Obrigado por teres publicado mais um belo texto da Adelaide. No seu "silêncio" presente, a sua voz ainda me fala mais alto.
Vamberto Freitas
Caro Vamberto
O doloroso e difícil "silêncio" de agora, mais realça o brilhantismo das palavras, outrora escritas e ditas.
Abraço picaroto.
…a ilha tanto pode representar enclausuramento, petrificação, morte, isolamento, como liberdade, iniciação e aventura, dependendo da vontade dos homens.
Trago um trabalho em mãos, no qual um dos capítulos se reporta à ilha, e este excerto é tão belo [dependendo da vontade dos homens é tão bonito...] e tão verdadeiro que o vou citar, com devida autoria e nota bibliográfica.
Por vezes, é difícil entendermos que equilíbrios gere o Universo. Porém, os silêncios também são ilhas, e, porque a nossa realidade nada mais é que a nossa imaginação, esse silêncio, que se apresenta de aparente clausura, será, quiçá, ainda, lugar de sonho e conjectura.
Zé Augusto,
Não conheço a escritora, mas o texto é magnífico, denso e profundo,incitando à urgência de uma visita, na busca de uma qualquer libertação como a que também experimentei em S. Miguel e na Graciosa.
Quem vai às ilhas fica viciado.Porquê?
Olá Isabel
Tentando responder à questão…
Escreveu Eduardo Lourenço sobre os Açores:
“Território e realidade singular no espaço de raiz e invenção portuguesas a que os séculos, a distância e os homens imprimem uma identidade particular”.
Na verdade, a singularidade está bem patente ao visitante, na beleza transcendente das paisagens, no falar das gentes, no mar único, nas crateras, na bruma, nas cores.
Cada uma destas características daria para escrever livros inteiros (e muito está escrito), e são elas que cimentam, a par do abandono secular, a vontade indómita que distingue o açoriano.
Azul, verde e negro.
E...sempre a vontade de voltar!
"E...sempre a vontade de voltar!!
Verdade!!!!! :))
Querido José Augusto,
Por gentileza do amigo Urbano Bettencourt fui alertada para o Meditar com Adelaide Baptista(2). Não poderia deixar de prestar a minha homenagem a Adelaide uma voz que sempre falou alto e em bom som das suas Ilhas e da alma de sua gente com a competência de quem conhece, sabe e ama. Uma escritora de maturidade reverenciada, espírito aberto, verticalidade no pensar e no agir, deu-nos muito da sua pena vibrante e vigorosa: poesia, prosa poética, contos, narrativas ficcionais, ensaios e um romance “Sorriso Por dentro da Noite”.
Adelaide atravessa o seu tempo em ritmo próprio.Do silêncio que se faz voz forte segue seu caminho, refaz seus passos conforme as exigências de sua vida, de antes e de agora, no tecer suave de seu universo.
Um grande abraço,
Lélia Pereira da Silva Nunes
Zé Augusto
Como gostaria que publicasses mais textos da autora!
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